A Arquidiocese de Palmas (TO) e o Regional Norte 3 da CNBB sedia, entre os dias 12 e 24 de janeiro de 2026, o projeto “Pés a Caminho” – 2ª Experiência Vocacional-Missionária Nacional.
Para compreender a dimensão e os objetivos desta iniciativa, conversamos com Dom Pedro Brito, Arcebispo de Palmas (TO), que detalha que a missão deve ser o eixo central da formação dos novos presbíteros e como essa troca de experiências enriquece tanto os seminaristas quanto as comunidades ribeirinhas e do Cerrado.
Confira a entrevista na íntegra:
Como funciona a missão realizada pelos seminaristas durante a Experiência Vocacional Missionária? Que atividades eles desenvolvem e quais comunidades visitam?
Dom Pedro: Todas as dioceses no Brasil têm o costume de fazer experiências missionárias nas férias. Esta, no entanto, é aberta para todos os seminaristas do Brasil, diocesanos e religiosos. Os formadores, com o Bispo da Diocese e os seminaristas, trabalham a motivação, mostrando a importância de atividades missionárias para o processo formativo, e definem quais seminaristas deverão participar desta experiência, promovida pelas POM, OSIB, COMISE e outros organismos.
A diocese ou dioceses que acolherão os seminaristas, em sua preparação, definem o objetivo geral e os objetivos específicos; o tema e o lema que servirão de referência; como e onde os seminaristas serão acolhidos e os pontos principais que serão aprofundados nos dias que antecedem a ida para as comunidades. Estas mesmas dioceses preparam os materiais que serão entregues aos seminaristas e às comunidades que os receberão: o manual com as orientações para as várias atividades durante o período; a camiseta com a logo da experiência missionária; a mochila; o boné; a garrafa para água, entre outros.
Os primeiros dias são destinados à formação. Os seminaristas serão enviados para as comunidades que se preparam para receber os missionários visitantes com propostas que incluem: a história da comunidade, orações com a comunidade reunida e nas casas das famílias, no comércio e nas repartições públicas. Também são sugeridos encontros formativos com lideranças da comunidade, celebrações e gestos concretos. Depois de um período de formação, os seminaristas são enviados em missão: pés a caminho. Cabe a cada diocese definir quais as comunidades que serão visitadas missionariamente.
Qual é o propósito central da missão e de que forma ela se integra ao projeto vocacional da Igreja?
Dom Pedro: Esta experiência vocacional missionária tem como objetivo oferecer a seminaristas do Brasil a oportunidade de, tendo a missão como eixo do processo formativo inicial, vivenciar uma experiência vocacional-missionária nas realidades do Cerrado Tocantinense e da Amazônia Legal. Queremos que descubram e fortaleçam a convicção de que as “Sementes do Verbo” geram encantamento, alegria e esperança no coração das pessoas, famílias e comunidades.
Como encontramos em orientações da Santa Sé, no Documento de Aparecida e nas Diretrizes para a Formação Presbiteral da Igreja no Brasil, a formação presbiteral tem como objetivo formar discípulos missionários que possam formar e fortalecer comunidades missionárias nas quais os cristãos leigos e leigas possam assumir serviços e ministérios que lhes são próprios, a partir do seguimento a Jesus Cristo e das necessidades das comunidades. Este é o projeto vocacional da Igreja no Brasil e, entre nós, no Regional Norte 3 da CNBB.
De que maneira essa experiência vocacional‑missionária contribui para a formação humana, espiritual e pastoral dos seminaristas?
Dom Pedro: A experiência vocacional-missionária é um laboratório vocacional e missionário e faz parte do processo formativo. Esta e outras formas de experiências serão retomadas ao longo do ano nos Seminários, em momentos de celebração, de partilhas, de lazer, de reflexão e de estudos. Na formação espiritual, humana e pastoral-missionária, os seminaristas têm um papel relevante, pois contam como vivenciaram a experiência e o que de mais marcante ficou em seus corações.
A partilha do que viram e do que escutaram durante a experiência vocacional-missionária é iluminada pela Palavra de Deus e enriquece a vida de toda a comunidade do seminário. Eles descobrem que a formação é um processo dinâmico que exige continuidade e, ao mesmo tempo, transformação em suas vidas para que possam aprender a ser um seminarista missionário. É evidente que isso acontece pela graça do Espírito Santo.
Quais são os impactos esperados da missão para a Arquidiocese de Palmas e para as comunidades que recebem os seminaristas?
Dom Pedro: Logo ao início da preparação, os seminaristas responderam à seguinte pergunta: “O que espero dessa Experiência Vocacional Missionária?”. As comunidades que os recebem também se prepararam e estabeleceram alguns objetivos e prioridades para serem apresentados aos seminaristas, tais como:
a) Aprender a conversar e conviver com as pessoas, as famílias: ser uma igreja nas casas como Jesus; maior animação na participação das pessoas nas comunidades eclesiais;
b) Aprender a realizar as visitas para que tenham continuidade;
c) Conhecer como acontece o trabalho de evangelização nas comunidades das quais procedem os seminaristas;
d) Partilhar com os missionários visitantes a situação social, familiar e eclesial da comunidade;
e) Organizar momentos para aprofundamento bíblico e as responsabilidades das lideranças em cada comunidade;
f) Fortalecer a convicção de que o missionário(a) não é somente quem vem de fora, mas também quem vive nas comunidades, pois todos participamos da missão de Jesus Cristo pelo Batismo e somos chamados a assumi-la;
g) Ser missionário como testemunha do Amor de Jesus Cristo em todos os ambientes: familiar, eclesial, profissional e social;
h) Saber que missionário não é aquele que leva Deus, mas aquele que O encontra onde for enviado: “o melhor lugar de missão é onde Deus me envia”.
Como a Arquidiocese percebe a importância de formar missionários antes mesmo de formar padres?
Dom Pedro: A nossa Igreja Católica em Palmas, consciente de que toda pessoa batizada é chamada a ser Igreja e participar da vida da comunidade eclesial, tem dado passos importantes na formação de missionários:
a) Formação missionária de ministros leigos(as) para o serviço da Catequese, da distribuição da Santa Eucaristia, da Palavra e do serviço ao altar;
b) Formação missionária de lideranças das comunidades: coordenadores de comunidades, de pastorais, movimentos e serviços;
c) Definição da missão como eixo do processo evangelizador em nosso Plano de Pastoral;
d) Acompanhamento aos seminaristas para que acolham a missão no coração e, no seguimento a Jesus Cristo, sejam, de fato, discípulos missionários e contribuam para a formação de missionários leigos(as);
e) “Uma Igreja nas casas e as casas na Igreja” – é uma das propostas para a celebração dos 30 anos de sua criação;
f) “Padres para a Igreja de Palmas” é o Projeto Vocacional da Arquidiocese, a ser lançado no dia 19/02/2026.

