Informações por: secretário da União Missionária, Pe. Rafael Lopez Villasenor
As Pontifícias Obras Missionárias (POM) promoveram, de forma virtual, entre os dias 15 e 17 de junho, o Pré-Simpósio Internacional Missiológico, reunindo aproximadamente 300 animadores missionários do Brasil e de diversos países das Américas, como parte do processo de preparação para o 7º Congresso Americano Missionário (CAM7). Com o tema “VER: Igrejas das Américas, olhando para a missão nas fronteiras”, o encontro proporcionou uma reflexão sobre a realidade do continente, seus desafios e as novas fronteiras que interpelam a ação missionária da Igreja.
O primeiro dia foi dedicado à reflexão histórico-teológico-missionária, conduzida pelo padre Estevão Raschietti. Em sua assessoria apresentou uma análise crítica da trajetória dos Congressos Missionários do continente, resgatando os desafios, conquistas e aprendizados acumulados ao longo de quase cinquenta anos de caminhada missionária. Os Congressos Americanos Missionários têm raízes nos Congressos Missionários Latino-Americanos (COMLAs), iniciados em 1977, inspirados pelos Congressos Missionários Mexicanos, celebrados desde 1942. Na passagem para o novo milênio, por iniciativa de São João Paulo II, os COMLAs passaram a ter uma dimensão continental, transformando-se em Congressos Americanos Missionários (CAM). Sempre com a finalidade de animar, motivar, articular e fortalecer a missão universal e a cooperação missionária intereclesial.
No segundo dia, o olhar esteve dirigido para a realidade sociopolítica e econômica global, com especial atenção à América Latina. A reflexão foi conduzida por Gianni Valente, diretor da Agência FIDES, em Roma, que apresentou uma leitura crítica dos contextos que influenciam a vida dos povos e desafiam a missão da Igreja. O conferencista destacou que o mundo e nas Américas, não vive apenas problemas isolados, mas enfrenta uma verdadeira crise sistêmica. Segundo a análise, trata-se de uma crise relacionada ao capitalismo tardio, caracterizado pela extrema financeirização da economia, hipermercantilização das relações humanas, avanço do capitalismo digital e crescente submissão à lógica do mercado. Diante desse cenário, a missão é chamada a discernir os sinais dos tempos testemunhando o Evangelho.
O último dia a noite foi dedicada pela análise eclesial da realidade atual. A reflexão foi conduzida pelo padre Ernesto Palafox, do CELAM, que apresentou uma ampla leitura das dimensões sociais, pastorais e eclesiais que marcam a missão hoje. Ele destacou as migrações, a urbanização, os povos originários e afrodescendentes, como os desafios da pobreza, da violência e da religiosidade popular. Evidenciou o impacto das novas tecnologias, da inteligência artificial e do paradigma tecnocrático na vida das pessoas e na ação evangelizadora.
No âmbito intraeclesial, apontou o clericalismo, os abusos e a falta de credibilidade eclesial. Mas também identificou sinais de esperança como a sinodalidade, o dinamismo pastoral, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e a consciência ecológica. Também reafirmou a necessidade de uma Igreja missionária, humilde e servidora, comprometida com a promoção da dignidade humana, da justiça, da fraternidade e da paz, junto às populações mais vulneráveis e às periferias humanas e existenciais.
O Pré-Simpósio Internacional Missiológico confirmou que o CAM 7 não é apenas um grande evento continental, mas um processo missionário. O pré-simpósio constituiu um espaço de formação, discernimento e comunhão eclesial, fortalecendo a consciência missionária das Igrejas das Américas, rumo ao 7º Congresso Americano Missionário (CAM7), que será realizado em Curitiba, Brasil, em novembro de 2029, e terá como tema “América em saída: Povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”. Seu lema será “Igrejas da América, em missão nas fronteiras”, iluminado pela Palavra de Deus: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21).

