Com informações do COMISE do Regional Leste III
Entre os dias 14 e 16 de agosto, a região de Biriricas, em Domingos Martins (ES), acolheu a Ação Missionária realizada em sintonia com o Mês Vocacional. Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão” e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (cf. At 2,46), a experiência reuniu cinco seminaristas da Arquidiocese de Vitória, doze formandos da etapa do Propedêutico e três seminaristas do Seminário do Verbo Divino, acompanhados por um padre da congregação.
Mais do que cumprir uma programação pastoral, a missão foi uma oportunidade para que os formandos experimentassem, de maneira concreta, a alegria e também os desafios de uma Igreja que se coloca a caminho. Nas comunidades Sagrado Coração de Jesus e Santo Arnaldo Janssen, mais de 80 famílias foram visitadas. Em cada casa, os missionários encontraram histórias, experiências, alegrias, desafios e diferentes formas de viver a fé. Ao entrar nas casas, o missionário não leva apenas uma mensagem, ele também se coloca na condição de quem deseja ouvir. Para aqueles que se preparam para o ministério presbiteral, essa experiência possui um valor particularmente formativo. O contato direto com a realidade das famílias permite perceber que o povo de Deus possui rostos, histórias e necessidades concretas.
Em Biriricas, as visitas foram acompanhadas por momentos de oração e partilha. O encontro com as famílias possibilitou os missionários a reconhecer a presença de Deus na simplicidade da vida cotidiana e a compreender que a evangelização nasce também da capacidade de estar próximo, ouvir e caminhar com as pessoas. Nesse sentido, a experiência missionária recorda uma dimensão essencial da vocação presbiteral a qual evidencia que o sacerdote é chamado a estar com o povo e a servi-lo. Antes de ser aquele que fala, é chamado a ser alguém capaz de escutar e antes de conduzir, precisa aprender a caminhar com aqueles que lhe são confiados.
A ação missionária também possibilitou o encontro com diferentes grupos da comunidade.
Famílias, jovens, crismandos, crianças da Primeira Eucaristia e participantes da Perseverança foram envolvidos em momentos de formação e convivência. Com as famílias, a reflexão “A Esperança Nasce no Lar: A Missão da Família Cristã” destacou o ambiente familiar como espaço privilegiado de fé, esperança e testemunho. A experiência permitiu aos seminaristas perceber que a pastoral vocacional não pode ser separada da vida concreta das famílias, onde muitas vezes surgem os primeiros sinais de uma possível vocação e onde cada pessoa aprende a reconhecer o chamado de Deus. Com os jovens e crismandos, a reflexão sobre os desafios da fé diante do mundo digital, o testemunho de São Francisco de Assis e as vocações trouxe para o centro do diálogo uma realidade particularmente presente na vida das novas gerações. A evangelização, nesse contexto, exige capacidade de escuta e disposição para compreender as perguntas e os desafios que marcam a experiência dos jovens. As crianças que se preparam para a Primeira Eucaristia e participam da Perseverança também tiveram seu espaço. A partir do testemunho de São Francisco de Assis, foram convidadas a refletir sobre a amizade com a criação, a escuta de Deus nas pequenas coisas e a alegria de viver o Evangelho.







Existe, ainda, uma dimensão da missão que muitas vezes passa despercebida, pois quando o seminarista vai à comunidade para evangelizar, ele também acaba sendo evangelizado. As famílias visitadas, os jovens, as crianças, as lideranças e todos aqueles que acolhem os missionários tornam-se, de alguma maneira, participantes do processo formativo.
A experiência de Biriricas mostrou que a formação pastoral acontece também quando o seminarista aprende com a fé do povo, com a perseverança da comunidade e com a capacidade de acolhimento daqueles que abrem suas portas. Por isso, a missão não deve ser compreendida apenas como uma atividade realizada pelo Seminário em benefício das comunidades. Trata-se de uma experiência de mão dupla, ou seja, a comunidade acolhe, partilha e testemunha sua fé. Já os seminaristas chegam para servir, mas também retornam ao Seminário transformados pelos encontros que viveram. É nesse movimento de saída e retorno que a experiência missionária se torna verdadeiramente formativa.
A missão realizada em Biriricas foi, portanto, uma experiência de comunhão entre diferentes vocações e etapas formativas. Seminaristas, propedeutas, religiosos, padres e comunidade local participaram de uma mesma experiência de Igreja, cada qual oferecendo seus dons e seu testemunho. No contexto do Mês Vocacional, essa experiência também recordou que toda vocação nasce para a missão. O chamado de Deus não conduz ao isolamento, mas ao serviço. Dessa forma, ao final dos três dias, permanece a certeza de que a missão não termina quando os missionários deixam a comunidade. Ela continua na vida daqueles que foram encontrados, nas relações construídas e, sobretudo, na formação daqueles que um dia serão enviados para servir o povo de Deus.

