Informações por: coordenador do COMISE Oeste 2, Arthur B. Silva Neto
Barra do Garças (MT) recebe, de 06 a 15 de julho, a VIII Experiência Vocacional Missionária de seminaristas do Regional Oeste 2. A iniciativa, que já se tornou tradição entre as dioceses da região, tem como objetivo aproximar os seminaristas da realidade missionária da Igreja, oferecendo uma vivência formativa marcada pela oração, pelo estudo e pelo contato direto com a história e os desafios da evangelização no interior do Brasil. Este ano, a experiência tem como tema “Vão, e reconstruam a minha igreja” e como lema “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8).
A missão é idealizada pelo COMISE – Conselho Missionário de Seminaristas, responsável por articular e organizar a experiência entre as dioceses do Regional Oeste 2, garantindo que a formação missionária esteja presente no caminho vocacional dos futuros presbíteros.
O evento acontece na Paróquia São Francisco de Assis e reúne 31 seminaristas vindos de diferentes dioceses da região: Diamantino, Juína, Sinop, Rondonópolis/Guiratinga, Primavera do Leste/Paranatinga, além da diocese anfitriã, Barra do Garças. A diversidade de origens reflete a amplitude do Regional Oeste 2 e reforça o espírito de comunhão entre as igrejas locais que compõem essa grande região eclesial do Mato Grosso.
Chegada e primeiros dias de formação
O primeiro dia da programação foi dedicado inteiramente à chegada e acolhida dos participantes, momento importante para que os seminaristas, vindos de diferentes pontos do estado, pudessem interagir, se instalar e criar os primeiros laços de convivência que marcariam os dias seguintes de experiência compartilhada.
Já no dia 07, a programação ganhou ritmo mais intenso. Os seminaristas viveram momentos de oração e partilha de experiências conduzidos pelo diácono Radamés Guarienti, além de um retiro espiritual voltado ao discernimento vocacional e ao fortalecimento da vida interior de cada participante.

A formação do dia contou ainda com a presença de Dom Maurício Jardim, bispo da Diocese de Rondonópolis/Guiratinga e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial. Em sua fala, Dom Maurício conduziu momentos formativos com o grupo, trazendo reflexões sobre o compromisso missionário da Igreja e o papel dos futuros presbíteros nesse processo citando a Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis que afirma “o dom sacerdotal recebido com a Sagrada ordem inclui a dedicação à Igreja universal e, portanto abre à missão de salvação dirigida a todos os homens, até os confins da terra (At 1, 8)” (nº71). Falando depois da “comunidade cristã reunida pelo Espírito para ser enviada em missão”, o documento afirma que “Esse impulso missionário diz respeito, de modo ainda mais especial, àqueles que são chamados ao ministério sacerdotal, como fim e horizonte de toda a formação”. “A missão revela-se como um outro fio condutor” (nº 91). Já o padre André Tibola, pároco da Paróquia São Francisco de Assis, esteve presente para apresentar uma contextualização da realidade local, ajudando os seminaristas a compreender melhor a história, os desafios e as potencialidades pastorais da região que os recebia.

A memória dos mártires de Meruri
Um dos momentos mais marcantes do dia foi o relato feito pelo padre salesiano Clemente Deja, que recordou aos seminaristas a história do padre Rodolfo Lunkenbein e do indígena Simão Bororo, ambos assassinados em julho de 1976, em um episódio que marcou profundamente a história da evangelização entre os povos indígenas do Mato Grosso.
Segundo o relato, Simão tentou defender o padre Rodolfo durante o ataque e acabou gravemente ferido. Levado pela irmã em busca de socorro no hospital da missão, o mártir bororo não resistiu aos ferimentos. A entrega de suas vidas em defesa da missão e do povo Bororo transformou padre Rodolfo e Simão em símbolos de fé, coragem e comunhão entre a Igreja e os povos originários.
A história dos dois mártires segue viva na memória da Igreja da região e ganha destaque especial neste ano, em que se completam 50 anos de seu martírio — uma data que tem mobilizado dioceses, paróquias e comunidades indígenas em torno de celebrações e momentos de memória ao longo de 2026.

Missa de envio
Encerrando as atividades do dia, foi celebrada a Missa de Envio na Paróquia São Francisco de Assis, reunindo padres, religiosos e fiéis da comunidade local. A celebração da Santa Missa marcou o envio dos seminaristas para os próximos dias de experiência missionária, reforçando o caráter de comunhão e apoio da Igreja local ao processo formativo vivido pelo grupo.
Encerramento em Meruri
A Experiência Vocacional Missionária segue até o dia 15 de julho, quando será encerrada na Aldeia Meruri, palco do martírio do padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo. A escolha do local não é apenas geográfica, mas profundamente simbólica: é ali, no chão onde os dois mártires entregaram suas vidas, que os seminaristas terão a oportunidade de concluir a experiência em contato direto com a comunidade indígena Bororo e com a memória viva desse episódio.
O encerramento coincide com as comemorações dos 50 anos do martírio, data que confere um significado ainda mais especial à experiência deste ano. Para os 31 seminaristas do Regional Oeste 2, os dias vividos em Barra do Garças e o encerramento em Meruri devem permanecer como um marco importante no caminho de discernimento vocacional, reafirmando o compromisso da Igreja com a missão e com os povos originários do Mato Grosso.

